sexta-feira, 29 de abril de 2011

ENTREVISTA DE NUNO GIL À REVISTA NOTÍCIAS TV


    
     "Solteiro e bom rapaz", passou a última década a estudar pelo mundo. Feliz com a aposta da TVI, o actor elogia Alexandra Lencastre e garante que ainda passa despercebido na rua. "Ainda bem."

NTV - Doze anos depois do último trabalho em televisão ("Os Lobos", RTP1), que balanço faz da novela "Anjo Meu" (TVI)?
NG - Têm sido meses muito intensos, com um ritmo completamente louco de trabalhar 12 horas por dia, às vezes mais. O balanço é positivo, no sentido em que este ritmo obriga-me a uma disciplina e autogestão do meu tempo, que depois me dá instrumentos para abarcar qualquer projecto.

NTV - E foi um regresso logo com um vilão! Fale-me deste Zé Maria.
NG - Quando me falaram nesta personagem, quis logo fugir ao estereótipo de um vilão e não entrar num cliché, tentar ser o mais sincero possível. No fundo, é perceber que este Zé Maria tudo o que faz é em função de uma causa maior, de um amor não correspondido. Esta maldade, este vilão, estão sempre baseados no fundo da verdade. Além disso, tento sempre encontrar uma verdade dentro de mim e da minha forma de ser e, então, encaixá-la no que a autora pede.

NTV - Zé Maria é o braço direito de Joana Rita. Como é trabalhar com a Alexandra Lencastre?
NG - Superdivertido. Foi uma surpresa conhecê-la! Desde o primeiro dia que temos uma empatia muito grande.

NTV - E isso facilita o trabalho, certo?
NG - A nossa empatia é visível nas gravações e tem mesmo de haver, porque depois as coisas saem com a maior naturalidade possível. A Alexandra é uma actriz fantástica, deixa qualquer pessoa muito à vontade e é, de facto, muito generosa e preocupada com o que está a fazer.

NTV - A novela passa-se nos anos 80. É mais difícil e exigente fazer ficção de época?
NG - Sim. A produção deparou-se com essa dificuldade. Há muitas mais questões a pensar: os figurinos, a forma de pensar, a mentalidade, o que se vestia e ouvia, que expressões se diziam e não se podiam dizer. Há uma maior decoração do texto, nesse sentido. E tudo isto acontece no Alentejo, é uma mentalidade ainda mais específica.

NTV - E usar aquelas roupas todos os dias? (risos)
NG - Até gosto dos anos 80, acho graça! Foram anos em que muita coisa aconteceu e explodiu. Mas também tenho alguma dificuldade com o meu figurino, aquelas roupas superjustas e apertadas! (risos)

NTV - Este trabalho é o primeiro a dar-lhe um grande reconhecimento junto do público. Tem sentido essa diferença?
NG - Ainda não senti grande diferença na rua. As pessoas também ainda não me conhecem. Trabalhei mais em cinema e teatro, e a novela está no ar há um mês. Mas a primeira vez que me reconheceram foi muito engraçado. Uma velhinha vira-se para mim e diz-me: "Ia jurar que você é o Zé Maria, mas não é nada, porque ele é muito mais gordo do que você!" (risos) E virou-me as costas. As pessoas também respeitam muito, às vezes vêm falar e pedem um autógrafo, mas nada muito constante. E ainda bem!

NTV - Ainda bem?
NG - Se há coisa que quero salvaguardar é a minha privacidade. Gosto de poder viver a minha intimidade à vontade. Espero nunca ser um grande furor nas revistas cor-de-rosa. (risos)

NTV - Vocês gravam no Sobral de Monte Agraço. Como é a ligação à população de lá?
NG - Acompanham tudo! Fazem-nos perguntas, implicam connosco. Já me chamaram "ruim"! A vila é pequena e para eles aquilo é uma maravilha.

NTV - Mas oferecem-vos prendas, por exemplo?
NG - A mim não me dão, só se for uma prenda envenenada! As pessoas não gostam de mim! (risos)

NTV - A televisão vai ser uma aposta, no futuro?
NG - Não depende de mim. Se houver convites... O teatro há-de ser sempre o meu reino, mas a televisão dá-nos uma estabilidade que o teatro não permite.

NTV - Portanto, se a TVI estiver interessada...
NG - Estou aberto! Fiquei muito contente com um papel desta importância. Foi uma aposta da parte deles e espero que esta coligação continue.

NTV - O Nuno já estudou em Espanha, Japão e EUA e também trabalhou no Brasil. De que forma esta formação o enriqueceu?
NG - São experiências muito importantes. Obrigar-me a sair do meu próprio país, até para depois ter uma melhor percepção dele. A bagagem aumenta. Abre novas formas de ver e fazer teatro.

NTV - Nasceu em Viana do Castelo. Como foi a adaptação a Lisboa, ainda tão jovem?
NG - Vim para Lisboa com a novela "Os Lobos". Fiz o casting em Viana, na brincadeira, e fiquei. Vim para Lisboa com 19 anos. Desde muito cedo que viajo e vivo noutros lugares, talvez desde os meus 14. Por isso, a adaptação foi fácil, não tive grande stress nesse sentido. Tenho facilidade em adaptar-me aos lugares e criar amigos.

NTV - Quem é o Nuno Gil quando não está a gravar? Quais são as suas paixões?
NG - Gosto muito de viajar, de praia! Nasci praticamente na praia em Viana, a minha casa fica a 10 minutos da praia, tenho uma ligação muito forte com o mar! Gosto muito de estar com os amigos, ir ao cinema, teatro. Mas acho que, sobretudo, as viagens. Viajar, comer bem, ter amigos.

NTV - Os pequenos prazeres da vida...
NG - Exacto! À medida que se vai crescendo, vai-se dando mais importância a isso.

NTV - O Nuno tem 31 anos. O que é que os 30 lhe trouxeram?
NG - (pausa) Maior maturidade, maior responsabilidade. Mas para mim o número é muito abstrato...

NTV - Na novela, o Zé Maria vive um amor não correspondido. E na vida real... solteiro e bom rapaz?
NG - Solteiro e bom rapaz...
   

fonte: Notícias TV

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